Thomas Hobbes era filho de um vigário anglicano que, forçado a deixar o
condado por causa de uma briga, abandonou os três filhos aos cuidados de seu
irmão.
Aos 4 anos, Hobbes começou a ser educado na igreja de Westport,
passando por duas escolas e seguindo, aos 15 anos, para Oxford, onde mais tarde
freqüentou a universidade.
Trabalhou como preceptor do futuro conde de Devonshire, William
Cavendish, iniciando a sua longa relação com essa família. Tornou-se
companheiro do aluno, e em 1610, visitaram juntos a França e a Itália. Durante
a viagem, Hobbes verificou que a filosofia de Aristóteles estava perdendo
influência, devido às descobertas de Galileu e Kepler, que formularam as leis
do movimento planetário.
Ao regressar à Inglaterra, Hobbes decidiu tornar-se um estudioso
dos clássicos, tendo realizado uma tradução da "História da Guerra do
Peloponeso", de Tucididas, publicada em 1629. Viajando novamente para o
estrangeiro, Hobbes foi chamado à Inglaterra, em 1630, para ensinar outro jovem
Cavendish.
Durante uma terceira viagem ao continente, com seu novo pupilo,
Hobbes se encontrou com o matemático e físico Mersenne e, depois, com Galileu e
Descartes. Descobriu os "Elementos", de Euclides, e a geometria, que
o ajudaram a clarear suas idéias sobre a filosofia.
Com a idéia de que a causa de tudo está na diversidade do
movimento, escreveu seu primeiro livro filosófico, "Uma Curta Abordagem a
Respeito dos Primeiros Princípios" e começou a planejar sua trilogia:
"De Corpore", demonstrando que os fenômenos físicos são explicáveis
em termos de movimento (publicado em 1655); "De Homine", tratando
especificamente do movimento envolvido no conhecimento e apetite humano,
(1658); e "De Cive", a respeito da organização social, que seria publicado
em 1642.
Hobbes retornou à Inglaterra em 1637, às vésperas da guerra
civil. Decidiu publicar primeiro o "De Cive", que circulou em cópia
manuscrita em 1640 com o título "Elementos da Lei Natural e
Política".
Em 1640, retirou-se para Paris, onde passou os onze anos
seguintes. Procurou o círculo de Mersenne, escreveu "Objeções às Idéias de
Descartes" e, em 1642, publicou o "De Cive".
Quatro anos depois,o príncipe de Gales, o futuro Carlos II, em
Paris, convidou-o para ensinar-lhe matemática e Hobbes voltou para os temas
políticos. Em 1650, publicou "Os Elementos da Lei", em duas partes, a
"Natureza Humana" e o "Do Corpo Político".
Em 1651, publicou sua obra-prima, o "Leviatã". Carlos
I tinha sido executado e Carlos II estava exilado; por isso, no final da obra,
tentou definir as situações em que seria possível legitimamente a submissão a
um novo soberano. Tal capítulo valeu-lhe o desagrado do rei Carlos II e da
corte inglesa.
Ao mesmo tempo, as autoridades francesas o tinham sob suspeita
devido aos seus ataques ao Papado. Hobbes regressou a Inglaterra em 1651,
também sob as críticas da Universidade de Oxford, que tinha acusado de manter
um ensino baseado em conhecimentos ultrapassados.
Com a restauração da monarquia inglesa, em 1660, Hobbes voltou a
ser admitido na corte, com uma pensão oferecida por Carlos II. Em 1666, Hobbes
sentiu-se ameaçado, devido à tentativa de aprovação no Parlamento de uma lei
contra o ateísmo, sendo que a comissão deveria analisar "O Leviatã".A
lei não foi aprovada, mas Hobbes nunca mais pôde publicar algo sobre a conduta
humana.
Seus últimos anos, Hobbes passou com os clássicos da sua
juventude, tendo publicado uma tradução da "Odisséia", em 1675, e uma
da "Ilíada", no ano seguinte.
Fontes:
